sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Um Escudo Negro...


Algo que não podemos negar é que, de fato, existe o preconceito racial. É uma questão que se arrasta desde os navios negreiros. Porém o que se percebe é que essa discriminação tem sido apontada como fator principal na exclusão da possibilidade de sucesso. Salvos os grandes nomes que representam muito bem sua negritude, a grande maioria se acomoda no fracasso e no anonimato. Isso se deve, em boa parte, a esta juventude atual. O que Renato Russo denominaria de “Geração Coca-Cola” interfere diretamente nas ações e reações da sociedade que tem grande parcela populacional de 15 a 30 anos. Um produto dessa acomodação veio à tona nos últimos anos: cotas nas universidades. Antes de tudo, é importante ressaltar que essa crítica não recai sobre as cotas para estudantes de escolas públicas, muito embora, diga-se de passagem, seja uma solução paliativa de um governo que, por tradição, não investe devidamente na educação. Na verdade, a percepção se monta na discriminação que as cotas para negros em universidades pode disseminar. Sem falar da questão subjetiva, especialmente num país como o Brasil, do que é ser negro. Há uma necessidade de se levantar a bandeira do negro sim. Porém, mais do que isso: torna-se necessário assumir uma igualdade de capacidades. Talvez, a reflexão do leitor induza o pensamento de que a maioria absoluta da pobreza brasileira é da cor negra e que, portanto, as cotas para negros nas universidades são válidas. Mas vale lembrar que maioria não é totalidade. Por mais que se questione, somos todos de iguais capacidades. O que muda é a oportunidade. Antes de lamentar a situação de preconceito e atar seus próprios braços, nós negros podemos e devemos batalhar pelo sucesso. Quanto maior for a importância que se dá à discriminação, mais presente ela estará.

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